HISTÓRIA
A semana na história de Cordeirópolis: Cordeiro, Cascalho, Câmara e Prefeitura

A semana na história de Cordeirópolis: Cordeiro, Cascalho, Câmara e Prefeitura
Nosso artigo desta edição pretende destacar fatos importantes ocorridos entre os dias 27 e 31 de março – o primeiro em 1949, com o início do funcionamento da Câmara e da Prefeitura, com a posse do prefeito e vereadores que tinham sido eleitos duas semanas antes; o dia 29, em que a lei que permitiu a criação do Bairro do Cascalho foi assinada, em 1884; o dia 30, data do documento mais antigo já visto sobre a venda de lotes no Centro; e o dia 31, quando o então Presidente do Estado Prudente de Morais determinou o retorno das povoações de Cordeiro e Cascalho para o Município de Limeira.
27 de março – início do funcionamento da Câmara e da Prefeitura de Cordeirópolis
Foi fixado o dia 13 de março de 1949 para a eleição do Prefeito e dos Vereadores que iriam compor a primeira Câmara Municipal. Para aquele mandato, não havia o Vice-Prefeito, que só foi implementado para os municípios novos a partir das eleições de 1952. A Câmara Municipal de Cordeirópolis foi instalada no dia 27 de março de 1949, com a presença do Juiz de Direito de Limeira, Dr. Raul da Rocha Medeiros Jr., dos deputados Otavio Lopes Castello Branco e Décio de Queiroz Telles, do padre Santo Armelin, pároco de Cordeirópolis e do Prefeito de Limeira, José Marciliano da Costa Júnior, com a posse de prefeito e vereadores. Também neste dia passou a funcionar a Prefeitura Municipal, no prédio que abrigava a Sub-Prefeitura desde 1942. A primeira legislatura, como informa o site do Legislativo, era composta de: Adolpho Fratini (depois de seu falecimento, assumiu Antonio Thirion), Angelo João Masutti, Angelo Pagotto (tomou posse em 1º. de abril), Antonio Joaquim Rodrigues (após seu falecimento, assumiu Francisco Fantus), Antonio Nardini (após sua renúncia, assumiu Benedito Guimarães Cruz), Benedito Ramos Feres (após sua renúncia, assumiu Emilio Bassinello), Prof. Bento Avelino Lordello, Chirubim Alves de Oliveira (tomou posse em 1º de abril; após sua renúncia, assumiu Antonio de Cerqueira Pinto Filho), Durval Alves, Jacob Tomazella, Jamil Abrahão Saad, Prof. Jorge Fernandes e Pedro Antonio Hespanhol (tomou posse em 1º. de abril). O Presidente da Câmara por todo o período foi o prof. Bento Avelino Lordello, que substitui o Prefeito Aristeu Marcicano entre 16 de março e 16 de junho de 1950 e de 2 de fevereiro a 2 de junho de 1951.
29 de março – a criação da lei que deu origem ao Bairro do Cascalho
Em 29 de março de 1884 foi publicada a Lei nº 28, que, no seu art. 3º dizia: “o governo fica autorizado a criar até 5 (cinco) núcleos coloniais ao lado das estradas de ferro e margem de rios navegados, nas proximidades dos principais centros agrícolas da Província” e ele deveria adquirir terras “de boa qualidade”, próprias para a cultura, preferindo as já cultivadas, que deverão ser medidas, demarcadas e dividas em lotes, construindo casas provisórias. Foi o que ocorreu no caso de Cascalho. Os lotes, segundo o desenho inicial, deveriam ser de 10 hectares, classificados segundo a qualidade da terra, para serem vendidos aos imigrantes, à vista ou a prazo. Também foi determinado que “o governo mandará abrir caminhos nos núcleos coloniais e entre estes e a estação mais próxima da estrada de ferro”. Antes da Rodovia SP-316 ou da Avenida Vilson Diório este era o único caminho que existia entre o bairro, a estação e o então distrito de Cordeiro. O parágrafo seguinte determinava a criação de uma escola mista de instrução primária em cada núcleo. Apesar deste dispositivo, um dos pedidos dos imigrantes ao Governo do Estado, em 1893, juntamente com um cemitério e um terreno para uma igreja católica, foi a criação de uma escola de ensino primário.
30 de março – o documento mais antigo sobre a cidade
Conforme sempre dissemos, a origem da cidade está ligada ao início da construção da Igreja Matriz de Santo Antonio, em 9 de março de 1886, conforme registrado pela imprensa de São Paulo e do Rio. Antes que isto fosse conhecido, havia um documento importantíssimo, cujo paradeiro atualmente é ignorado: uma escritura particular de venda de uma área de terra pelo seu proprietário, Manoel Barbosa Guimarães, e sua mulher, datada de 30 de março de 1886.
31 de março – retorno de Cordeiro e Cascalho para Limeira
Uma das primeiras informações que conseguimos saber em nossas pesquisas sobre os anos iniciais de Cordeiro (e de Cascalho) foi o Decreto nº 39, de 31 de março de 1890, assinado pelo então Governador do Estado de São Paulo, Prudente de Moraes. Através dele, estava sendo revogado o art. 1º da Lei nº 96, de 1880, que tinha transferido as então Fazendas Cordeiro e Cascalho de Limeira, onde sempre tinham pertencido, para Rio Claro. O decreto indicava que o Governador de São Paulo tinha analisado as representações da Câmara Municipal de Limeira e dos moradores de Cordeiro e Cascalho, além das informações prestadas por Rio Claro. Dizia também que ele, que já era duas vezes maior do que Limeira, não deveria ser aumentado em detrimento deste, que era um dos menores do Estado; que Cordeiro e Cascalho estavam a 15 km de distância de Rio Claro e 9 km de Limeira; que mesmo transferidos na área administrativa para Rio Claro, os bairros continuavam a pertencer à Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Limeira e que a Assembleia Legislativa tinha aprovado um projeto no mesmo sentido em 23 de março de 1889 restabelecendo as antigas divisas, mas que foi vetado. Outros argumentos eram que as razões que levaram ao veto no ano anterior não procediam, pois quem sabe da realidade é quem mora no local e a alegação de que eram inconvenientes os desmembramentos de territórios não tinha sentido, pois a lei vetada pretendia justamente resolver esta inconveniência. Baseado em tudo isso, foi decretado e passou a valer o retorno dos bairros ao seu município de origem.
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